Embora A Sangue Frio relate um fato, muitos críticos colocam em questão a veracidade do livro, acreditando que Capote omitiu e mudou determinadas informações. Para Severo (2009), a obra de Truman deixa perguntas sem respostas, a fim de acobertar a motivação homossexual do assassinato.
“Li o livro várias vezes e durante anos me questionei: “O que foi que aconteceu? Como uma família tão boa é trucidada de forma tão cruel? Há algo estranho nesse relato”. (...) Os dois criminosos eram amantes homossexuais e o assassinato da família evangélica inocente ocorreu porque um dos criminosos quis estuprar Nancy Clutter, a adolescente evangélica de 16 anos que estava amarrada. O parceiro homossexual, enciumado por ter sido trocado por uma linda mocinha loira, briga com seu amante. Esse foi um fato importante que o jornalismo investigativo de Capote omitiu completamente. (...) Por que motivo o renomado jornalista Capote acobertou a motivação homossexual do assassinato?” (SEVERO, 2009)
Severo vai além, apontando a habilidade de Capote de omitir a homossexualidade de suas obras. É o caso de Other Voices, Other Rooms (1948), que trata-se da história de Joel que ao conhecer um travesti, descobre e aprende aceitar a sua homossexualidade. Posteriormente, o autor admitiu que a obra fora uma tentativa inconsciente de ser autobiográfico.
“Other Voices, Other Rooms foi escrito antes de A Sangue Frio, e habilmente mostra a capacidade de Capote de manobrar a homossexualidade e os personagens envolvidos nela. (...) Entretanto, ele não deixou em A Sangue Frio códigos ou suspeitas de homossexualidade nos criminosos. Isto é, a homossexualidade, que era tão comum em seus outros livros, estava estranhamente ausente em seu relato sobre uma inocente família metodista assassinada por dois homens homossexuais.” (2009)
Até hoje, há boatos de que existira um relacionamento romântico e sexual entre Capote e Smith, que era representado no livro com o mais sensível dos assassinos.
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